Professora Marli Endres
  

Vamos ler alguns textos de Sociologia?



Escrito por profª Marli às 23h31
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Aula 03 - Leia o texto abaixo e faça a atividade proposta pelo professor.

A maior invenção do século: os direitos humanos

 

         O século XX acabou de se encerrar. Um tempo de grandes conquistas e transformações. Um período de violência extrema e fatos históricos assustadores – muitas guerras, massacre de populações e brutalidades diversas. Mas foi também o século do automóvel, da televisão, das viagens espaciais, do desaparecimento da escravidão nas Américas e na Europa, da proteção à crianças e adolescentes, do ingresso de mulheres no mercado de trabalho.

Um século, enfim, que presenciou conquistas e atrasos lado a lado e que, de modo geral, pode ser dividido em duas partes: antes e depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

         O resultado dessas guerra foi o surgimento de um mundo totalmente diferente daquele que se conhecia até então. A política, a geografia, a economia, a cultura, as artes, as sociedades, enfim, nunca mais seriam as mesmas a partir daquele momento.

         Um fato marcante do pós-guerra, já em 1945, foi a criação de um órgão internacional voltado à promoção da paz mundial: a Organização das Nações Unidas (ONU). Criava-se formalmente uma espécie de juiz único para as disputas entre diferentes países e povos.

         Uma das primeiras tarefas da ONU foi a elaboração de um documento histórico, que tentasse acabar de vez com o desrespeito aos direitos básicos do ser humano. Uma espécie de grande acordo, para evitar a repetição de todos os horrores da guerra recém-terminada. Nascia assim a Declaração Universal dos Direitos Humanos, concluída em 1948.

         O objetivo principal desse documento é a ampliação do respeito aos direitos e liberdades fundamentais de todos, sem qualquer exceção. As promessas da Declaração, porém, ainda não foram postas em prática integralmente, uma vez que ainda há desrespeito aos direitos humanos em todas as partes do mundo, inclusive no Brasil. Mas não se trata, de forma alguma, de um documento sem importância. Ao contrário, as principais constituições (o conjunto de leis básicas) dos países democráticos seguem os princípios e valores por ela adotados. Isso, porque não há democracia sem respeito aos direitos humanos.

         Se vivemos hoje num mundo mais livre do que o de nossos pais e avós, devemos esses avanços, pelo menos em parte, à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sem dúvida, essa foi a maior invenção do século XX.

         E quais são esses direitos?

         Preste bastante atenção! Conhece-los é fundamental para todos, porque eles não podem ser tirados de ninguém, sob nenhuma hipótese; é o primeiro passo para o exercício da cidadania democrática. O segundo, no nosso caso, é ensina-los aos outros.

Ser cidadão: realizar direitos e deveres

         Liberdade, igualdade e fraternidade: eis os três princípios, isto é, os pontos de partida da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

         Dentre eles, o primeiro princípio – a liberdade – refere-se à idéia de que qualquer forma de escravidão é inaceitável. Todos nascem livres, e assim devem permanecer por toda a vida. À medida que nossos direitos (e nossos deveres) são reconhecidos e realizados cotidianamente, tornamo-nos cada vez mais livres.           

         Se a idéia de liberdade é bem conhecida hoje, o mesmo não acontece com o princípio da igualdade. A idéia de que nascemos iguais, embora sejamos tão diferentes uns dos outros, ainda é algo difícil de ser compreendido nos dias atuais.

         O princípio da igualdade entre os homens tem sua origem na religião cristã e mais tarde foi retomado na Revolução Francesa.

         Somos todos iguais como seres humanos. Por isso devemos combater qualquer forma de discriminação e de arrogância, agindo solidariamente uns com os outros. Eis o terceiro princípio fundamental da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Liberdade, igualdade e fraternidade: os três pilares de uma vida em comum justa e digna.

         A Declaração Universal dos Direitos Humanos está dividida em quatro partes e conta com trinta artigos – como se fossem trinta mandamentos. Veja alguns deles.

Ninguém poderá ser submetido a tortura ou tratamento desumano, ou sequer ser preso sem provas;

Toda pessoa acusada de um crime deve ser considerada inocente até o momento em que se prove sua culpa;

É direito de todos locomover-se livremente, ou, então, fixar residência onde bem entender;

Todos os maiores de idade têm direito de se casar, ou de se separar daquele com quem se casou, ou ainda de não se casar se assim preferirem;

Também são livres para escolher e professar sua crença ou religião, assim como são plenamente livres para expressar suas opiniões;

Da mesma forma que todos têm direito a escolher livremente sua forma de trabalho, todos têm direito ao descanso e ao lazer;

Todos têm direito à educação fundamental, obrigatória e gratuita.

Os “mandamentos” da Declaração Universal dos Direitos Humanos são a fonte da idéia que nos interessa mais de perto: a cidadania.

            Vale lembrar que cidadania é um caminho de ida e volta, isto é, concede direitos e exige deveres ao mesmo tempo. O direito à vida implica o dever de não matar. O direito à liberdade, o dever de não escravizar. O direito à igualdade, o dever de não discriminar. E assim por diante.

            Em outras palavras, a pessoa que teve suas necessidades atendidas fica comprometida com a comunidade e, em especial, com os outros que não tiveram as mesmas chances. Pois não há justiça social verdadeira se ela não se estender a todos.

Cidadania no Brasil hoje: o que é isso? Afinal, o que é exatamente ser um cidadão no Brasil de hoje? Quais são os direitos e deveres de um brasileiro? Vamos por partes.

            Ao nascermos, herdamos um conjunto de características biológicas – como a cor da pele ou dos cabelos – e outras de cunho social: somos filhos de determinada família, falamos uma língua específica, compartilhamos com nossos conterrâneos certos costumes e valores. Assim, temos uma identidade cultura, ou seja, certa semelhança com nossos parentes, vizinhos e amigos.

            Somos brasileiros antes de mais nada, mas também pernambucanos, gaúchos, paulistas e assim por diante. Possuir a nacionalidade brasileira dá automaticamente à pessoa alguns direitos básicos: o de ter um nome e uma certidão de nascimento; de votar de ser votada; de concorrer a cargos públicos; de ser protegida pelas leis brasileiras, mesmo que esteja em país estrangeiro, etc.

            Mas ser cidadão não se resume a ter uma nacionalidade. Se você nasceu na década de 50, 60 ou 70, ,o Brasil de sua infância e adolescência em quase nada se parece com o de seus filhos ou alunos, não é mesmo? O que teria mudado tanto?

                FONTE: Fonte: Fundação Victor Civita – Ofício de Professor. V. 8 – Ética e Cidadania

 



Escrito por profª Marli às 23h28
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